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quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

Manticore


Capa da primeira edição de Manticore
Obra prima das histórias em quadrinhos brasileiras, “Manticore” é uma graphic novel independente, lançada em setembro de 1992, pela Editora Monalisa, com qualidade de impressão acima da média, originalidade em seu roteiro e proposta de tornar-se uma publicação periódica. A empreitada com um extenso crew de produção, acabou por angariar alguns prêmios significativos, e o produto muito influenciado pelo seriado norte americano “Arquivo X”, dentre outros nomes de ficção científica e terror, acabou por tornar-se cult, mesmo por uma série de motivos (infelizmente), não conseguir vingar.
Enquanto a indústria do entretenimento era infestada por mini séries, desenhos animados, games e filmes sobre extra terrestres, o mercado das histórias em quadrinhos sofria a ausência de uma boa revista de terror e/ou ficção científica, outrora marcantes nas bancas de revistas do Brasil. Exatamente nesta época, vem à tona o famoso episódio “verídico” do “ET de Varginha”. O fato noticiado nacionalmente na mídia, foi a inspiração para o roteiro que aproveita este personagem urbano do interior de Minas Gerais como vetor de uma intervenção alienígena, na humanidade, devido a auto destrutiva ação antrópica. Tudo protagonizado por membros de uma sociedade secreta motivada a veicular a intervenção e censores de intuito inverso.
Capa da segunda edição, que termina a graphic novel iniciada no
primeiro número
Além da ótima impressão em papel couchê colorido, formato Veja (a número 1. Já a número 2 sai em 25,5 por 21cm e a número 3 em formato americano) e o roteiro original, a arte gráfica é de desenho e pintura que teem traço variável do cartun ao realismo, com a colaboração de artistas convidados em algumas páginas. Enfim, uma apresentação impecável e sublime.
A excelente história com o “chupa cabras” de Varginha completa-se na segunda revista com um final confortante e megalomaníaco.
Capa da terceira edição de Manticore, que tem a
proposta de se firmar como coletânea
A terceira revista, lançada somente em dezembro de 2004, já é uma produção à parte. Além de seu formato diferenciado, a impressão já não tem a mesma qualidade. Seu miolo não é em papel couchê e somente as capas são coloridas. Além disso, o conteúdo é uma coletânea com várias histórias de vários autores diferentes. Sem nenhuma ligação entre as histórias ou com aquela que brilhou nos dois números anteriores, o vigente é a temática de ficção científica/terror. Evidente que dentre as HQs, várias são muito boas, sendo algumas destaques incontestáveis, mas nada que se compare à perfeição da que deu origem ao impresso.

Por motivos que fogem a compreensão do mero leitor, a revista não conseguiu estabelecer-se como publicação periódica. O que é uma grande pena. Mesmo não tendo a qualidade da história que deu início a revista, “Manticore” deveria continuar sendo publicada. Não apenas por preencher uma lacuna, presente até hoje nas bancas do Brasil, mas também por ter sido um marco nas histórias em quadrinhos independentes no país.

domingo, 3 de janeiro de 2016