Bem vindo e fique a vontade. Agradecemos qualquer comentário, sugestão, crítica ou colaboração.

terça-feira, 12 de julho de 2011

Clube dos Quadrinheiros no Manaus Comic Con

                Nos dias 09 e 10 de julho foi realizada em Manaus a primeira edição do Manaus Comic Con, nas dependências da Escola Superior de Tecnologia da Universidade Estadual do Amazonas.  O Clube dos Quadrinheiros teve grande participação neste evento que tinha em sua programação palestras, música ao vivo, stands diversos, cosplay, exposições, oficinas, games, jogos de tabuleiros e muito mais.  Aqui cabe um sucinto relato da participação do grupo no evento.           
Às 10 horas da manhã do sábado (dia 09) o evento teve início.  No chamativo stand do Clube dos Quadrinheiros de Manaus havia uma exposição de quatro histórias em quadrinhos inéditas de autores do grupo, exposição e venda de action figures e exposição para leitura e venda de gibis.  Neste dia marcaram presença os Quadrinheiros Augusto Severo, João Vicente, Jucylande Júnior, Mário Orestes e Virgínia Allan, sendo que também marcaram presença os ex-membros do grupo Rogério Romahs e Tiê, o eterno quadrinheiro Bruno Cavalcante e o novato Eunuquis.As HQs expostas dos autores locais chamaram a atenção do público devido à qualidade do material apresentado.  Os gibis espalhados em cima da mesa do stand serviram pra leitura e consulta de inúmeros apreciadores da 9ª arte, sendo que colecionadores, gastaram vários Reais na aquisição de dezenas de títulos.  Praticamente o mesmo pode ser dito para action figures que variavam dos universos Marvel e DC Comics, passando por Star Wars, Predador, Gi joe e Speed Racer.
Em meados da tarde Jucylande Júnior ministrou uma disputada oficina de “Desenho para Quadrinhos”, para um público de jovens desenhistas, onde expôs parte de sua técnica e sua experiência que lhe faz um exímio desenhista que impressiona por seu perfeccionismo, apesar da enorme agilidade no traço.
Fechando o dia Mário Orestes palestrou por duas horas com a temática “História do Clube dos Quadrinheiros de Manaus” para um seleto, porém satisfeito público, contando a saga deste grupo desde os primórdios até as atualizações do que eles estão fazendo no momento, com as metas para as empreitadas futuras.  Tudo muito bem ilustrado com capas de inúmeros fanzines, vários cartazes de eventos, matérias de jornais, panfletos de divulgação e fotos diversas.
No domingo (dia 10) tudo se reiniciou também às 10 horas da manhã, sendo que neste dia a equipe já contou com a presença dos novatos Rodrigo Sampaio que pôs a venda, no stand, um fanzine de sua autoria e Jhonnes Nekko que passou, praticamente o dia todo, desenhando na mesa do stand, chamando assim atenção dos visitantes.
As vendas de gibi e action figures aumentaram com a confirmação de que o stand do Clube era um dos mais visitados (senão o mais visitado) de todo o evento.  Em alguns momentos os Quadrinheiros quase não tinham tempo de respirar, devido ao grande número de pessoas lendo, comprando, conversando, perguntando, enfim, interagindo.
Pela parte da tarde, novamente Jucylande Júnior ministra sua oficina de “Desenho para Quadrinhos” que cativou um aglomerado de jovens desenhistas, fascinados na maestria deste quadrinhista nato.
Saldo positivo na participação do Manaus Comic Con com muitos contatos realizados, divulgação efetivada e a dignidade da certeza que o Clube dos Quadrinheiros de Manaus já encontra-se em plena atividade ininterrupta de produção de histórias em quadrinhos, fomentador cultural através do programa Encruzilhada Vertical e com planos pra revistas e eventos para um futuro não muito longínquo.

Um dos slides da palestra de Mário Orestes
Slide falando sobre o evento passado
Tiê marcando presença no stand
A disputada oficina de Jucylande Júnior
Até pessoas em pé acompanhavam atentos
Todos cativados na oficina
João Vicente prestando entrevista
Em primeiro plano o novato Eunuquis
O começo do stand no primeiro dia
Exposição de HQs inéditas
Público lendo as HQs inéditas
Virgínia Allan no stand
Interação constante com o público
A garotada se divertindo com os quadrinhos expostos
Mais registros da oficina de Jucylande
Os novatos Rodrigo Sampaio e Jhonnes Nekko
Action Figures
Lugares disputados no stand
Público sempre presente
Compras satisfazendo visitantes
Oficina de Jucylande no segundo dia
 

domingo, 26 de junho de 2011

A Melhor História em Quadrinhos Já Feita

A explicação para a afirmação de que Watchmen é a melhor história em quadrinhos já produzida até agora, cabe à inovação revolucionário que esta causou ao ser lançada, influenciando cinema, animes, games e outras histórias em quadrinhos.  Escrita brilhantemente por Alan Moore, desenhada por Dave Gibbons e colorida por John Higgins, esta obra prima foi lançada originalmente pela DC Comics de 1986 a 1987 em 12 edições mensais.  Posteriormente a série foi lançada encadernada em volume único.

The Watchmen na boa versão cinematográfica

A inovação já começava no formato.  Seu sucesso imediato ajudou a popularizar o chamado “formato americano”, popularizando também as “graphic novels”, sendo estas direcionadas para um público mais adulto, diferentemente do consumidor usual (até então) de histórias em quadrinhos.  A justificativa está na abordagem do tema.  Uma sátira direta aos quadrinhos de super heróis.  Exatamente o que vigorava e dominava o mercado americano da época.  Watchmen é um grupo de heróis, fantasiados aposentados, que decide retornar à cena para investigar o assassinato de um dos membros do grupo.  Porém, o caráter violento, irônico e sociopata de alguns, mostra-os mais como anti heróis.
Para montar a saga, Moore formou seus personagens baseados em heróis já existentes, mas agregando elementos de vários outros personagens, conseguindo assim, originalidade com referências diretas, sem problemas com direitos autorais.

A deliciosa Espectral

Em pleno clima de guerra fria da década de 80 (o enredo da história ocorre, mais precisamente no ano de 1985), o grupo de heróis encontrava-se aposentado, até mesmo pela pressão que sofreram com um decreto de lei que obrigava qualquer justiceiro mascarado ou fantasiado a se registrar no governo para serem supervisionados em suas ações.  Sendo que destes, apenas dois continuaram em atividade autorizada.  São eles: o Comediante, vivido pelo violento Edward Blake, que passou a atuar para o governo como uma espécie de justiceiro de aluguel e Dr. Manhattan, físico nuclear Jonathan Osterman, que após um acidente de trabalho é desintegrado, mas consegue reagrupar o seu organismo ganhando o poder do controle da matéria e dos átomos, podendo inclusive viajar no tempo, no espaço, multiplicar ou transmutar o seu corpo (na verdade, Dr. Manhattan é o único que possui super poderes equivalendo-se a um Deus).  Um deles ficou atuando na ilegalidade.  Rorschach (Walter Kovacs) um excelente detetive, violento, pessimista e totalmente anti social vive como fugitivo da polícia por ainda combater o crime mascarado (tornando-se um terror para os criminosos), sem a obrigação de se registrar ao governo.  Os demais se aposentaram.  Ozymandias, assume sua identidade verdadeira de Adrian Veidt.  É um milionário egocêntrico considerado o homem mais inteligente do mundo.  Sua inteligência é tanta que se tornou um mestre em artes marciais e esportes, chegando a ponto de se esquivar de tiros por conseguir calcular a velocidade das balas em suas trajetórias.  O Coruja, com o alter ego de Dan Dreiberg, também milionário, mas com uma vida bem mais modesta que Veidt.  É especialista em alta tecnologia e abusava de artefatos dessa natureza para o combate ao crime.  E Espectral vivida por Laurie Juspeczyk, uma gostosa vigilante ex esposa de Dr. Manhattan.
A trama começa a se desenrolar quando Comediante é assassinado e Rorschach passa a investigar o crime, com a certeza de que a morte é apenas o começo de uma espécie de vingança para com o grupo.  O que enriquece a história é o fato dela ser entrecortada com episódios biográficos de cada personagem, sendo que cada biografia mostra aventuras e referências diversas.  As referências são tantas que variam de passagens da Bíblia a Jimi Hendrix, Nietzsche e Bob Dylan.  É preciso várias leituras de Watchmen para se começar a compreender toda a linearidade e a perceber as inúmeras referências existentes na série que estão expostas tanto no texto, quanto nos desenhos.
No ano de 2009 a história deu origem a uma super produção cinematográfica homônima muito boa e bastante fiel à HQ.
Sucesso unânime de público e crítica, Watchmen ganhou vários prêmios e consta como melhor literatura até mesmo dentre listagens de romances, sendo em alguns casos, a única história em quadrinhos a alcançar essa proeza.  Existem sites inteiros dedicados à obra que já foi inclusive tese de mestrado e até hoje é estudada por escritores e roteiristas do mundo todo.  Uma verdadeira lição de história bem escrita.
Quem não leu, deve ler para ter um mínimo de entendimento sobre a complexidade e importância das histórias em quadrinhos no gigantesco universo das artes em geral.

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Akira - Trailer Legendado

Já há a resenha neste blog deste filme longa metragem em desenho animado, que se tornou uma das maiores referências no estilo. Contudo, ainda há aqueles que não assistiram essa animação para adultos com ótimo roteiro da criação de Katsuhiro Otomo, que também assina a direção da película.
Abaixo o trailer legendado que mostra apenas uma pequena porção da violência, da criatividade fértil e do drama que é Akira.

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Memories

Esta película de 114 minutos em desenho animado lançada no ano de 1995 é uma produção japonesa do mestre Katsuhiro Otomo (mangaká famoso por ter criado a obra prima “Akira”.  Ver arquivo deste blog).  Na verdade “Memories” está dividido em três curtas metragens em anime, com diferentes traços e direções, mas todos de criação do próprio Otomo.
Capa do impressionante DVD do criador de Akira
A primeira parte do filme se chama “Magnetic Rose” e conta com a direção de Koji Morimoto.  Mostra uma ficção científica futurista de roteiro impressionante com excelente desenho de traços realistas.  Um grupo de astronautas que trabalha coletando lixo espacial, encontra uma nave alienígena abandonada e resolve explorá-la.  Em seu interior se deparam com as dependências de um teatro do século XIX, e mais adentro com uma sacada que dá acesso a um jardim e um extenso terreno bucólico ensolarado.  Não demoram pra encontrar a sensual personagem de uma cantora soprano de ópera que parece ser um fantasma vivendo naquele lugar.  O processo se demonstra um avançado sistema de auto defesa da nave, mas eles não sabem até que ponto isso é criação da nave, ou assombração, visto constatarem que a sedutora personagem existiu em vida.  A segunda animação chamada “Stink Bomb” tem a direção de Tensai Okamura.  Surpreendentemente tende para o humor e conta a hilária história de um rapaz nerd que trabalha numa indústria química governamental e sem querer engole um protótipo de fórmula que o transforma numa bomba humana e que transmiti um fedor simplesmente letal pra qualquer ser vivo próximo a ele.  Por desconhecer o que se sucede, não compreender o motivo de todos a sua volta estarem mortos e se ver na obrigação de levar importantes informações secretas para o governo, segue em direção ao centro de Tóquio, provocando um caos social com a incompetência da desordem militar em eliminá-lo.  O traço é de um contemporâneo suave e bonito.  Pra fechar o filme vem “Cannon Fodder” com direção e (incrivelmente) desenhos de Katsuhiro.  Os traços misturam realismo com caricatura, as cores são plásticas e sombrias como num quadro barroco.  O roteiro de um futuro orwelliano narra a triste realidade de um vilarejo que vive em guerra eterna e tem canhões gigantescos instalados na cidadela.  Toda a atenção de educação, economia, cultura e política dos moradores é voltada para a guerra com um invisível inimigo e os imponentes canhões.  Tudo é visto pela visão ingênua de um garoto que ama o trabalho militar servil de seu pai.
Facilmente encontrado pra download, “Memories” é mais um grande trabalho de Katsuhiro Otomo que merece ser conferido, não só por apreciadores de mangá e animes, mas também por amantes de boas histórias e entretenimento de qualidade inquestionável.

quinta-feira, 19 de maio de 2011

A Pistola - Um Conto de Batman por Alan Moore

A PISTOLA
Um conto de Batman escrito por Alan Moore
Ilustrações por Garry Leach
(Originalmente publicado em "Batman Annual UK", de 1985)



"Johnny Speculux" não era seu verdadeiro nome.

Era apenas o nome que ele pichava nos vagões do metrô com seu exclusivo spray fosforescente. Quatorze letras para terminar antes do metrô começar a se mover novamente, algumas vezes esfolando a pele de seus cotovelos enquanto ele tentava finalizar as últimas letras. Ele tirou o nome de uma das velhas e amareladas revistas de ficção científica que seu irmão caçula vivia lendo. Johnny Speculux. Soava bem - e em tinta laranja fosforescente em letras garrafais parecia mesmo *espetacular*. Johnny Speculux gostava de coisas espetaculares mas parecia que ele nunca tinha dinheiro para torná-las assim. Então, para compensar, ele gostava de perambular em locais espetaculares. A Exibição "Lar 2000" na Feira de Gotham City era, aos olhos de Johnny, a última palavra em assombramento.

À sua esquerda havia uma enorme garrafa térmica com 20 metros de altura.

À sua direita ficava uma máquina de lavar cromada do tamanho de uma casa. Tudo era luminoso, colossal e reluzente, com brilhantes e coloridos holofotes brincando sobre os estandes e a multidão agitada. Famílias felizes moviam-se em correntes em volta dos estandes como cardumes de peixes tropicais coloridos num oceano de música ambiente. Johnny Speculux movia-se entre elas como um tubarão invisível. Ele sentia-se assustado e excitado. Ele sentia-se capaz de fazer qualquer coisa que quisesse. E no bolso de seu agasalho, fria, velha e pesada, estava A Pistola. Ele nunca teve uma pistola antes.

Ela não tinha um número ou marca. Era apenas A Pistola. Havia sido feita à mão em 1950 por um triste e velho armeiro chamado Lew Hirsch, e havia sido construída com um propósito muito especial. A esposa de Hirsch, Anna, foi baleada em um assalto à sua loja de armas e os duros traços do mafioso italiano que a matou ficaram gravados na memória de Lew. Cartazes de "Procurado" com o rosto de Toni Pavrotti se espalharam por toda Gotham City sem resultado. Lew Hirsch sentava-se até tarde da noite, dia após dia enquanto A Pistola ganhava forma na fraca luz de sua oficina no porão. Pensamentos de vingança ocupavam todos os momentos despertos do velho artesão. Talvez um dia, o destino o colocasse frente a frente com o homem que tirou-lhe sua esposa. Talvez um dia, ele estivesse na rua, ou então num bar, e ele veria e reconheceria o homem do outro lado como Pavrotti. E se isso um dia acontecesse, Lew Hirsch estaria preparado.

Ele terminou de construir A Pistola no outono de 1950.

No verão de 1952 ele leu no jornal que um homem, morto em um acidente numa estrada ao norte da Itália, havia sido confirmado como o fugitivo Toni Pavrotti. O jornal chegava a dizer que sua esposa e dois filhos mudaram-se para os Estados Unidos na esperança de recomeçar a vida.

Para Lew Hirsch, era tarde demais para recomeçar. Os pensamentos de vingança haviam sido o combustível para sua fraca vida por tempo demais. Agora Pavrotti estava morto e a arma criada com tanto esmero tornou-se um amontoado de metal para Hirsch. Mas ela pesava com uma terrível e inatingível vingança.

Em 1953, Hirsch deu a arma para seu cunhado, Julius Lipmann, em pagamento por um débito excessivo. Lipmann vendeu a arma para um parceiro de carteado, um homem chamado Vinnie Torrino, que a perdeu para um associado numa partida de pôquer.

O nome desse associado era Joe Chill.

Joe estava furioso na noite em que ele conquistou a arma, mas em vez de sua raiva passar como sempre acontecia quando ele ganhava um jogo, ela parecia ter permanecido com ele. Se Joe Chill tivesse nascido um pouco mais esperto e alguns anos mais tarde, ele poderia ter canalizado toda aquela raiva na política. Ele poderia ter se tornado um daqueles senhores magros, barbudos e com olhos agitados que bradam sobre justiça social. Mas Joe não dava a mínima sobre justiça social. A única coisa que lhe importava era o fato de que ele nunca tinha dinheiro. E isso significava que pessoas que *tinham* dinheiro eram o *inimigo*.

Era nisso que Joe estava pensando na noite em que ele ganhou A Pistola.

Ele continuava pensando nisso uma hora depois, quando quatro balas partiram da Pistola até o doutor Thomas Wayne e sua esposa Martha quando eles voltavam do cinema com Bruce, seu filho de seis anos de idade.

Mais tarde, Chill sentiu-se mal pelo garoto estar ali, mas decidiu que não era responsável pelo que aconteceria ao menino. Afinal, ele não pretendia *matar* o ricaço e sua esposa metida. Ele só queria a bolsa da dona. Se o marido não tivesse de repente decidido bancar o herói, os dois ainda estariam vivos. Simples assim. Apenas um acidente.

Ainda assim, Joe jamais esqueceria os olhos daquela criança... como se alguma coisa dentro da mente do menino tivesse se encolhido e adormecido para sempre, enquanto algo mais despertava pela primeira vez. Algo escuro, frio e impiedoso.

Quase vinte anos depois, Joe Chill veria aqueles olhos novamente, pouco antes de morrer. Os olhos o fitavam por trás de uma máscara azul. Os olhos do Batman foram a última coisa que ele viu.

É claro, Joe Chill não era mais o dono da Pistola. Ele a vendeu anos antes para pagar o aluguel. Desde então ela passou de mão em mão aleatoriamente, por bolsos, penhores e depósitos da polícia... até alcançar Johnny Speculux.

Johnny Speculux caminhava pelo salão, com um lado do seu agasalho mais pesado que o outro.

Ele passou entre uma enorme máquina de costura e uma gigantesca réplica em acrílico do emblema da RCA, reparando que a multidão parecia bem menor por ali. Na verdade, ele só conseguia ver um casal. Eles saíam de uma estrutura baixa com a forma de um ferro de passar que parecia ser o toalete público. Atrás deles arrastavam uma cansada e relutante garotinha que parecia ter uns quatro anos de idade.

O coração de Johnny Speculux começou a marretar enquanto ele andava na direção deles. Seus lábios secos pareciam colar um sorriso em seu rosto. Bem acima, os tristes olhos de um cachorro de quinze metros de altura encaravam com pesar a corneta de um igualmente enorme fonógrafo.

O silêncio quase sepulcral que se seguiu após o eco dos disparos só foi quebrado pelo pranto de uma criança. Uma multidão se aglomerou, e uma madame gorda num terninho azul tentava ficar entre a histérica menina e os imóveis corpos de seus pais. Um garoto de treze anos tocou levemente o corpo da mulher com o pé, apenas por ousadia. Uma mulher incrivelmente parecida com Elizabeth Taylor comia pipocas enquanto olhava para os corpos, enquanto comentava com sua vizinha em meio ao amontoado de pessoas:

"Ai, você viu só? Coitadinha da criança! Que tipo de marginal faz uma coisa dessas? Sabe o que eu acho? Cadeia é boa demais pra essa gente, é isso o que eu acho!"



A sombra era longa e fria, e quando ela pousou a multidão se calou. A sósia de Liz Taylor engoliu mais algumas pipocas e quase engasgou. Todos se afastaram para deixá-lo passar, o manto farfalhando enquanto suas pontas raspavam o chão liso por trás dele. Ele caminhou lenta e silenciosamente até os corpos e observou-os. Nada disse. Então andou até onde a criança estava, quando a madame de terninho prendeu a respiração e deu um passo para trás.

Ele ajoelhou-se e olhou dentro dos olhos arregalados da criança.

"Quem fez isto?", perguntou Batman gentilmente.

Johnny Speculux caminhava pelo salão, um pouco mais apressado, consciente o tempo todo do enorme peso em seu bolso que batia ritmadamente contra sua coxa. A gentil batida de metal ecoava a assustadora ladainha que circulava dentro de sua cabeça latejante.

"Quinze dólares e quarenta e quatro centavos. Quinze dólares e quarenta e quatro centavos. Quinze dólares e..."

Era todo o dinheiro que o casal tinha. Quinze dólares e quarenta e quatro centavos. Ele não estava mais se sentindo bem. Ele não se sentia mais como um tubarão e certamente não se sentia mais invisível. Todos olhavam para ele... ele captava seus olhares um segundo antes deles se virarem, hostis e suspeitos. Ele tinha que se afastar de toda aquela gente.

Pegou o elevador que ia até o topo de um gigantesco estande em forma de bolo, e chegou ao restaurante que ficava no alto da camada principal. Pediu um copo de café tamanho Jumbo e um enorme folheado de maçã com duas porções de creme, o que lhe custou dois dólares e noventa.

Sentou-se numa mesa perto da janela, onde podia ver as pessoas que circulavam pelo imenso salão de exibições. Elas fluíam juntas como correntes elétricas, vermelho intercalando com azul, com manchas de amarelo. Lembrou-se de seu folheado de maçã e forçou-se a comer.



No meio da décima-primeira mordida, sentiu que alguém o vigiava. Seus olhos percorreram todo o restaurante, mas ninguém parecia estar olhando em sua direção.

Foi quando alguém bateu do outro lado da janela.

A seis metros de altura.

Johnny Speculux virou-se, lentos e pesados calafrios de medo começando a deslizar por suas costas. Havia alguém agachado no parapeito de oito centímetros que circulava por toda a camada principal do enorme estande em forma de bolo. Vestia-se de escuridão negra, cinzenta e azul, encolhido como uma gárgula com um longo manto atrás dele. Mal parecia-se com um homem...

Ele estava encarando Johnny Speculux, e havia algo de familiar em seus olhos.

Havia algo neles muito parecido com o olhar daquela garotinha quando Johnny Speculux usou A Pistola. Eles tinham toda aquela calma e emotiva intensidade dos olhos de uma criança, mas no rosto de um adulto o efeito era aterrorizante.

Johnny Speculux gritou e deu um pulo, desequilibrando a mesa. Ela pareceu cair em câmera lenta. Todos no restaurante começaram a gritar ao mesmo tempo, mas então Johnny Speculux correu até a saída de emergência que ligava a camada superior do estande-bolo até o teto do centro de exibições. Fugindo como um morcego saído do inferno.

Quando ele alcançou a porta no alto da escadaria, o ar frio e cortante do teto o atingiu como um trem de carga, arrancando a adrenalina de seu corpo. Sua mente, no entanto, ainda dançava. Batman estava atrás dele. BATMAN. Atrás DELE.

Mas porquê? Ele não era alguém realmente perigoso, como o Coringa ou aqueles outros caras. Pessoas que podiam destruir Gotham, os Estados Unidos, ou mesmo o planeta inteiro se alguém os deixasse de mau humor. Ele era só Johnny Speculux, e tudo o que ele tinha feito foi apagar duas pessoas, mais por acidente do que por intenção. Não podia ser tão ruim assim, podia?

Um assobio metálico cortou o ar noturno como uma lâmina, e alguma coisa enrolou-se no cabo de apoio da caixa d'água no teto, conduzindo uma linha quase invisível. A linha tensionou, e uma sombra enorme e esvoaçante pairou até o topo.

Johnny Speculux estava correndo. Do outro lado do teto havia uma plataforma para os limpadores de vidro, suspensa por cordas que desciam até a rua. Seu coração batia como um martelo atingindo uma bigorna incandescente enquanto ele se equilibrava pelo lado do prédio até a plataforma a poucos metros do parapeito. O pânico apressava seus movimentos num borrão frenético... o Batman estava ali em cima com ele, em alguma parte atrás dele, em algum lugar entre as sombras. Quando ele agarrou a corda e a plataforma começou a descer em pulos dolorosamente curtos, Johnny Speculus fechou seus dedos frios em torno do peso dentro de seu bolso. Acima dele, a lua cheia o fitava como um ciclope insensível...

...e subitamente não havia mais lua. Algo a eclipsava.

Johnny Speculux ouviu alguém distante gritando com uma voz muito parecida com a dele. Ele disparou uma vez contra o caos de sombras penduradas no parapeito. Não houve reação... o farfalhar da capa tornava impossível saber se os tiros haviam atingido carne ou tecido. Ele atirou de novo.



A bala cortou a corda da plataforma.

A plataforma se desequilibrou.

Johnny Speculux e A Pistola caíram de uma altura de vinte e três andares. A Pistola tornou-se uma massa disforme de metal com o impacto no asfalto.

Ele foi identificado por sua arcada dentária. Seu nome era Gianni Carlos Pavrotti. Ele tinha dezoito anos e vinha de uma família italiana que havia chegado à América no começo dos anos 50.

"Johnny Speculux" não era seu verdadeiro nome.

E uma grande porção de vingança foi usada na fabricação daquela arma...

FIM

terça-feira, 17 de maio de 2011

Dorkly Bits: Humor & Games


por Augusto Severo


Humor na Internet é coisa dinâmica: muda toda hora e nos bombardeia com modinhas. De Memes à sátiras, a Internet nos propicia uma grande variedade de piadas,sejam elas boas ou apenas bem intencionadas; E o que é melhor, para todos os públicos. Mas definitivamente não é coisa fácil de se fazer: é preciso ser original, ter o timing certo e, mais importante, a capacidade de fazer as pessoas riem até mijarem nas próprias calças.

Dorkly (www.dorkly.com) é exatamente TUDO ISSO. Originado do já prestigiado College Humor, o grupo de humor americano que ja fez até programas da MTV gringa, DORKLY é o braço na internet responsável por fazer humor usando os GAMES como referências, e abordando seus personagens pops de maneira inusitada e desproporcionalmente hilária.



Em um dos vídeos, baseado no clássico, MS PACMAN, a Senhora PACMAN é divertidamente perseguida pelos fantasmas no labirinto, até que, ao chegar em casa, tira o laço da cabeça, revelando ser o SENHOR PACMAN! Ele ainda se indaga: "OHH, PACMAN, o que você tá fazendo...?" Impossível não captar a sagacidade.
Um dos mais hilários é o do Noob Saibot vs Liu Kang, dois personagens do Mortal Kombat, onde o Noob Saibot se revela um Iniciante (noob é uma gíria para novato, nos EUA), e nao demonstra nenhuma habilidade para executar seus golpes! O final desse é hilário, praticamente um Stand Up!!

Todo os vídeos são em Inglês, o que requer do espectador uma mínima noção desse idioma, mas que não atrapalha aqueles que estiverem afim de gargalhadas despretenciosas e autênticas. As narrações dos personagens são realizadas pelos próprios produtores das animações (destaque para o Mário e seu sotaque italiano, muito bom!).

Dorkly é a prova de que tanto o Humor quanto os Games sempre renderão boas novidades, principalmente se caminharem de mãos dadas com a criatividade. Tá dada a dica!!


VISITEM: www.dorkly.com

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Akira

Uma das capas da magnífica graphic novel
Esta obra prima de Katsuhiro Otomo é um épico contemporâneo criado originalmente como graphic novel de 38 edições com 60 páginas cada.  Aqui no Brasil, foi lançada no ano de 1990 pela Editora Globo.  Curiosamente o último número da saga não saiu no mesmo ano devido a algum problema jurídico ou diplomático.  Sendo que os leitores tiveram de aguardar até o ano de 1998 para que a história fosse concluída com o lançamento da edição 38.
O roteiro em si demonstra a aventura progressiva e dramática de uma gangue de motoqueiros adolescentes que, sem querer, se envolvem com um projeto de desenvolvimento de psicocinese em cobaias humanos.  Um dos líderes da gangue (Tetsuo Oshima) desenvolve os poderes e passa a ser o vetor que liga o resto da gangue com o projeto grandioso que acabará por influenciar em todo o planeta Terra.
O que chama atenção, além do criativo roteiro com bons diálogos, é a megalomania explícita no potencial destrutivo urbano.  Certo que isto é uma característica da cultura artística (principalmente dos cinemas) japonesa, mas em Akira, isto é levado ao extremo.  Se vê tamanha destruição que chega a perturbar quem tiver a síndrome do pânico ou quem simplesmente sofrer dos nervos.
Tetsuo modifica a lua afetando a Terra
Mas afinal quem é Akira?  Um garotinho de 4 anos de idade com poderes equivalentes ao de uma bomba atômica.  Tamanho é o seu poder que o corpo deste personagem é mantido com os órgãos separados em cápsulas trancafiadas numa fortaleza tecnológica.  Quando este é despertado por Tetsuo, a destruição se dá início.  O mais bacana é toda a história que vai se desenvolvendo, após o despertar de Akira, nas ruínas de Neo Tókio.
Baseado no mangá, deu-se um anime longa metragem homônimo lançado no ano de 1988 com direção do próprio Katsuhiro Otomo.  Evidente que a adaptação para a película passou por enormes mudanças para caber em 124 minutos de filme.  Contudo, trata-se dos mesmos personagens em situação semelhante, mas com uma cronologia diferenciada (prova disso é que diferente do mangá, no filme Akira desperta somente no final da história).  Como o desenho é dirigido a um público maior e mais diversificado, a violência foi minimizada e até o uso de drogas, bem destacado no mangá, não aparece nas telas do vídeo.  Porém, a grandiosidade, o drama e a intensidade da violência ainda assim se fazem presentes na adaptação.
Tanto o filme quanto a série em revistas, podem ser encontrados pra venda ou download na Internet.  Trama muito bem bolada que influenciou, e ainda influenciará, gerações de artistas, Akira é referência não só para o gênero mangá, como para os quadrinhos e animes em geral.
Abaixo duas páginas que apresentam a arquitetura  exagerada, que posteriormente é destruída, mostrando megalomania na obra .

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Raça da Noite

A capa de uma das revistas da saga
Um escritor de terror pra ser elogiado por Stephen King, tem de ser no mínimo bom, mas podemos agregar a Clive Barker qualidades como criativo, impressionante e outras mais.  Sua obra mais conhecida é “Hellraiser”, mas é em “Raça da Noite” que o autor conseguiu sua maior diversificação de produto no tocante à mudança de linguagem.  O livro conta uma história surpreendente a cada capítulo que prende a atenção do leitor de forma cativante.  O protagonista Aaron Boone vive o tormento de visões de criaturas monstruosas, enquanto a cidade de Midian sofre com uma onda de violentos crimes.  Em meio a tramas e suspenses, Boone percebe que seus problemas estão diretamente ligados aos crimes e a um abrigo no subterrâneo do cemitério, o lar de centenas de criaturas mórbidas que se alimentam de carne e sangue, venerando e obedecendo ao demônio Baphomet.  Numa emboscada de corrupção, Boone acaba sendo ressuscitado pela devida raça e no processo libera seus poderes sobrenaturais latentes.  Até o romance que o personagem mantêm com a bela Lori, é prejudicado pela paranormalidade do caso.  A literatura é na verdade uma adaptação da roteirização da produção americana e canadense (20th Century Fox, 115 minutos, do ano de 1990) que recebeu o nome de “Nightbreed”, e curiosamente tem participação de David Cronenberg (atuando como o Dr. Philip Decker), com direção e roteiro do criador Clive Barker.
Uma das páginas da macabra história
A obra também recebeu uma versão para os quadrinhos, lançado em 1991 no Brasil pela editora Abril em minissérie quinzenal de 10 edições, com o nome de “Raça das Trevas”.  Os escritores Alan Grant, John Wagner e o desenhista Jim Baikie receberam consultoria do próprio Clive Barker durante a produção.  A arte de Baikie não é realista como a de Alex Ross, mas também não deixa a desejar por conseguir transmitir todo o suspense e terror de Barker.
Uma das características de Clive Barker é a grande violência.  Seja na literatura, no cinema e até mesmo nos quadrinhos, o banho de sangue é marca registrada.  O abuso da carnificina se faz de modo espontâneo e sem censura a ponto de mostrar uma psicologia tão densa que chega a ser doentia.
Barker já é referência no estilo.  Seus filmes já teem trilha sonora de nomes como Ozzy Osbourne e Mötorhead e seu reconhecimento já extrapola várias linguagens artísticas.
Com rápida busca pela internet, se encontra facilmento algo do criador.  Vale a pena conhecer algo de sua autoria.

Por: Mário Orestes

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Invasão

HQ inédita do músico e tatuador Afrânio Pires, cedida gentilmente para o Clube dos Quadrinheiros de Manaus

terça-feira, 26 de abril de 2011

Próximo Encruzilhada Vertical

Próximo sábado (dia 7 de maio) o programa Encruzilhada Vertical, apresentado por Augusto Severo, com participação de Mário Orestes, alguns membros do Clube Dos Quadrinheiros De Manaus e prováveis convidados.  O assunto debatido será “Nos Tempos De Escola - 2° tempo”.  O público poderá escutar o programa na rádio Vertical (http://www.radiovertical.com/), das 16:00 as 18:00 (horário Manaus) e interagir com os participantes pelo MSN (encruzilhadavertical@hotmail.com).  Lembrando que um pouco antes o próprio Orestes apresenta o programa Vertical Classic Rock (14:00 as 16:00, sempre horário Manaus).

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Sangue Ruim

Escritor e desenhista norte americano contemporâneo, Joe Coleman ganhou certa notoriedade pela peculiaridade sombria de seu trabalho.  Seus contos são dramatizações da atividade de seriais killers.  Até aí nada de anormal, a questão é que ele narra histórias baseadas em fatos verídicos que estão entre o bizarro e o aterrorizante.  Levando-se em conta que os Estados Unidos da América, é o país que mais concentra seriais killers no mundo, Coleman tem um farto campo pra exploração de seus contos.  O que torna a leitura mais interessante ainda é que sua narrativa é na primeira pessoa sempre mostrando o ponto de vista doentio do assassino em questão.  Cada conto é uma viagem alucinante que logicamente termina em violência, tortura, estupro e muito sangue.  Chega a ser repugnante em alguns pontos e pode causar náuseas naqueles que não estão preparados para encarar esta realidade obscura do ser humano moderno.  Outro forte ponto de Coleman são suas ilustrações.  Sim, além de escrever ele também ilustra os próprios contos.  São dezenas de ilustrações mostrando uma produtividade incansável e que retratam perfeitamente suas palavras, visto que ele consegue traduzir nos desenhos a insanidade de seus personagens.  Ao contrário do que se possa imaginar, não são desenhos toscos.  A riqueza de detalhes se faz presente com hachuras constantes, expressões faciais dos sentimentos em jogo e ótimo contraste de luz e sombras que realça o preto e branco.  A harmonia é perfeita e instigante, chega a ser perturbadora.  Leitura que pode incitar o sonho (ou pesadelo) durante o sono.
Conforme palavras do mestre Robert Crumb: “O trabalho de Joe Coleman tem a contundência de alguém comprometido em um esforço urgente para preservar sua própria sanidade.  Sua arte visual é, para o meu gosto, uma das melhores existentes nos dias de hoje.
Pra finalizar esta resenha, uma pérola soltada pelo psicopata mais genial que já existiu, Charles Manson: “Joe Coleman é um homem das cavernas em uma espaçonave.
Sangue Ruim, 2005, Editora Conrad, tradução de Tatiana Öri-Kovacs, 175 páginas.
Por: Mário Orestes

segunda-feira, 18 de abril de 2011

O Livro do Clube dos Quadrinheiros de Manaus

Certo dia, no ano de 2004, o professor Tenório Telles (escritor, poeta, dramaturgo, membro da Academia Amazonense de Letras e Administrador da Editora Valer) me chamou pra uma conversa em particular.  Imaginei: “Pronto!  Ele soube de nossos podres e pedirá nossas cabeças.  Nos chamará de maconheiros, vagabundos e tudo mais que não presta”.  Fiquei surpreso quando ele disse que veicularia uma parceria entre Editora Valer e a Editora da UFAM pra lançar um comic book do Clube dos Quadrinheiros de Manaus e ainda me convidou pra organizar o livro.  Com uma proposta irrecusável como essa, tratei de reunir o grupo e comunicar o convite.  Fiz uma seleção abrangendo o maior número de autores (dentre desenhistas e roteiristas), onde usei como critério de seleção, aquilo que considero como a obra prima de cada um e algumas poucas histórias emblemáticas do grupo.
Capa do livro ilustrada por Rogério Romahs
Já tínhamos as histórias, apenas estipulei uma ordem sequencial e comecei a coletar os originais.  Algumas não consegui por puro desleixo dos devidos autores, então tivemos de tirá-las de fanzines onde elas foram publicadas.
Começou o chato processo de edição.  Eu ia constantemente ao escritório da Editora.  Pegava chá de cadeira de quarenta minutos a uma hora pra escutar o funcionário dizer: “Olha, o trabalho está ficando assim.  Me diz o que tu acha e eu altero depois porque agora estou ocupado com o livro do Thiago de Mello”.  Ou então dizia: “Volta semana que vem, porque agora estou ocupado com a edição de um catálogo de culinária”.  Essa enrolação demorou um ano.  Eu me sentia um trapo quando tinha de ir ao escritório.  Nas reuniões já tinha gente que não acreditava mais nesse livro e alguns chegaram a comentar que isso era viagem minha e que não existia livro nenhum.
No primeiro trimestre de 2005, finalmente o livro ficou pronto.  Impresso o trabalho, verifiquei algumas falhas e outras coisas que poderiam ser melhoradas, mas o parto estava feito e o filho não poderia mais ser negado.  Fizemos uma modesta festa de lançamento no Espaço Cultural Valer, divulgamos nos meios de comunicação e distribuímos os exemplares de direto pra cada autor.  No mesmo ano o livro foi um dos representantes do Estado do Amazonas na Bienal Internacional do Livro em São Paulo e recebeu excelentes críticas da mídia em geral.  Exemplares a venda podem ser encontrados na Livraria Valer e na Livraria da UFAM.

segunda-feira, 11 de abril de 2011

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Front Zine

O “Front Zine” era uma página semanal, publicada aos sábados, no extinto “Jornal do Norte” em 1996 e produzida pelo Clube dos Quadrinheiros de Manaus, mais precisamente pelos membros: Daniel Dante, Fábio Prestes, João Vicente, Bruno Cavalcante e este que vos escreve.  Curiosamente Vicente tinha que assinar o trabalho com o pseudônimo de “Teckiller” por ser funcionário do jornal “A Crítica” e Bruno Cavalcante, que passou a fazer parte da equipe somente a partir do número 12, como sempre muito excêntrico, assinava com “B%C2”.  O jornal acabou em pouco tempo por tratar-se de uma grande “lavagem de dinheiro” de um certo Governador que tínhamos e ainda hoje mama nas tetas públicas.
A diagramação e a arte central da página eram feitas por Fábio Prestes.  Os demais cuidavam do trabalho de pesquisa dos textos e da contribuição com as fotos e ilustrações.  Primeira empreitada profissional do Clube que rendeu uns trocados pra cada membro, a folha era influenciada por parapsicologia, mangá, cibercultura, ultra violência, cultura gótica e punk rock.
Como se tratava de um trabalho jornalístico que abordava cinema, quadrinhos, fanzines, música e tudo a respeito com cultura alternativa, os textos anunciavam novidades daquela época.
Temos 13 desses trabalhos em forma de quadros que estão disponíveis pra exposição itinerante e até já foram expostos em alguns espaços culturais.
O Front Zine era chamado de “inovação gráfica” pela maioria e “lixo visual” por alguns funcionários conservadores do jornal.  Vocês entenderão o porque, quando verem a evolução do trabalho a cada número.

Texto por: Mário Orestes.