Bem vindo e fique a vontade. Agradecemos qualquer comentário, sugestão, crítica ou colaboração.

sexta-feira, 14 de maio de 2021

Quadrinhos & Educação vol. 6

 

Novidade da Quadriculando! Estamos recebendo artigos, ensaios, relatos de experiências e entrevistas para fazerem parte do livro Quadrinhos & Educação, volume 6. Obra organizada pelos Profs. Drs. Amaro Braga e Thiago Modenesi que vem há anos reunindo o que há de melhor sobre o tema no Brasil e no mundo. Você pode participar enviando seu material para quadriculando@yahoo.com até o dia 20 de junho!

terça-feira, 11 de maio de 2021

Vida Verde em Careiro

 

Produção independente trash curta metragem de aventura com cunho ambientalista. Filme de Francisco Das Chagas membro do Clube dos Quadrinheiros de Manaus.

terça-feira, 13 de abril de 2021

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2021

5 mangás (pós) apocalípticos fofos que vão partir seu coração

 

Imagem dividida em cinco partes. Na primeira parte, uma menina loira de olhos verdes segura a mão de um rapaz de cabelos castanhos - referente ao mangá Made in Abyss. Na segunda parte, uma garota loira de pé e uma garota de cabelo preto sentada sobre uma estrutura - referente ao mangá Girls’ Last Tour. Na parte central, terceira parte,  várias pessoas de cabelos coloridos deitadas sobre a grama com flores ao redor - referente ao mangá Houseki no Kuni. Na quarta parte, vê-se uma garota de cabelos alaranjados e parte de uma aranha - referente ao mangá Giant Spider and Me. Na quinta parte, têm-se quatro garotas e um cachorro chiba; a garota da frente tem cabelos rosas e parece animada, atrás dela estão as três outras garotas - referente ao mangá School-Live!
5 mangás (pós) apocalípticos fofos que vão partir seu coração

O título dessa lista não poderia ser mais verdadeiro. Não se engane, apesar de esses 5 mangás parecerem muito fofinhos e até mesmo inofensivos à primeira vista, não baixe sua guarda. Sofrimento à vista, mate.

Já que vamos falar de fazer você sofrer com cada leitura, vamos estabelecer a lista por nível de sofrimento: começar de mansinho e terminar com lágrimas que não vão caber em uma piscina olímpica. Então, vamos lá!

  

Garota de cabelo laranja trançado, sentada em uma cadeira, com uma xícara de chá em uma das mãos. Mesa com toalha e pratos dispostos com sanduíches, uma xícara de chá e um livro, ao lado da garota. Atrás da mesa há uma aranha gigante.

 1# A Aranha Gigante e Eu (Giant Spider and Me)

Título original: 終わりのち、アサナギ暮らし / Owari Nochi, Asanagi Kurashi

Autoria: Kikori Morino

Esse mangá conta a história de uma dupla inusitada: Naga e uma Aranha Gigante, Asa. Toda a Terra foi inundada e o mangá apresenta cenas desse gigantesco desastre natural sem perder de vista que essa é uma história “Slice of Life” (iyashikei, ou seja, que visa contar apenas uma parte da vida das personagens). Frequentemente você recebe lembranças de que esse é, de fato, um mundo pós-apocalíptico em que Naga está sozinha porque seu pai foi procurar por mais recursos no que sobrou desse mundo. 

Além disso, muito embora Asa aparente ser uma criatura fofa e muito dócil, não podemos nos esquecer que é uma aranha gigante com enormes presas que poderá se tornar violenta, tirando todo o conforto que um iyashikei teria e sempre deixando claro que, nem mesmo com toda essa meiguice aparente, o mundo não é um lugar fácil para sobreviver. Pequenos momentos em que vemos cidades desoladas, ônibus abandonados para a natureza tomar conta e, até mesmo o recorrente tema da solidão de Naga demonstram que o mundo é mesmo um lugar inóspito. A tentativa de Naga de se conectar a tudo e a todos através de suas habilidades culinárias é um foco bastante doce para uma história que poderia ser ainda mais terrível. Esse é, também, um conto sobre amizade e sobre encontrar conforto até mesmo quando tudo parece perdido. Então, se você procura algo que consegue misturar uma calorosa amizade com o temor constante que é sobreviver ao fim do mundo, essa é a história para você.

 

Paisagem nevada, com árvores ao fundo e céu azul. Uma garota loira de olhos verdes está com uma garota de cabelos pretos e olhos castanhos deitada sobre suas pernas. A garota de cabelos pretos está segurando um boneco de neve. As garotas estão deitadas na frente de um pequeno tanque de guerra.

2# O Último passeio das garotas (Girls’ Last Tour)

Título original: 少女終末旅行 / Shōjo Shūmatsu Ryokō

Autoria:  Tsukumizu

O mundo acabou e o que sobrou dele está nesse prédio com infinitos andares. Cair desse prédio significa cair para o incerto, seja esse incerto a morte ou um andar inferior. O que nos restas é subir. Subir até encontrar o último andar desse mundo. Essa é a premissa de Girls’ Last Tour. Acompanhamos a história sob o ponto de vista de duas garotas, Yuuri e Chito, enquanto elas desbravam os restos da civilização humana, sobrevivendo dia após dia, enquanto encontram outros sobreviventes em sua jornada. É uma história melancólica e ao mesmo tempo doce sobre como a amizade pode ser a chave para nossa sobrevivência como espécie, como seres humanos. Sob essa aparência fofa das duas meninas, podemos facilmente ser enganados e acharmos que é um mangá fofinho para ser lido acompanhado por uma xícara de chá. Mas, não se enganem. Essa é uma história sobre a desolação e sobre as ínfimas coisas que nos tornam humanos e sobre como nos agarramos a essas amenidades quando toda esperança parece estar por um fio. É sobre como nos agarramos aos papéis em que desenhamos mapas que ninguém jamais verá. É sobre como cuidados do último peixe da Terra, porque esse é o nosso dever. É sobre como queremos chegar muito mais alto para descobrir o que tem no topo desse nosso prédio que chamamos de vida. O que você faria se tudo o que restasse do mundo fosse você? Essa história te convida a tentar responder essa pergunta, isto é, se você quiser mesmo responde-la.

 

Cinco garotas dispostas uma ao lado da outra. A primeira parece mais velha e tem cabelo castanho longo. A segunda, parece ser a mais nova, com cabelo levemente creme preso em duas marias-chiquinhas. A terceira está no meio, parece mais animada que as demais, tem cabelo rosa e usa um chapéu que parece ter orelhas de gato. A quarta garota é loira com olhos azuis, está meio deitada na frente das outras garotas. A quinta garota tem cabelo escuro, um pouco arroxeado, preso com fitas rosas fazendo marias-chiquinhas; ela está segurando uma pá e está sorrindo de maneira brincalhona. Atrás das garotas está a cidade, com alguns zumbis cambaleando no meio de um gramado.

3# (Sobre)Vivendo na Escola! (School-Live!)

Título original: がっこうぐらし! / Gakkō Gurashi!

Autoria: roteiro por Norimitsu Kaihō e arte por Sadoru Chiba (Nitroplus')


Não se engane pelas capas coloridas dos volumes desse mangá. Ele entra em número três nessa lista por uma boa razão. Mesmo que a personagem principal, Yuki Takeya faça você acreditar que está tudo bem, não acredite. Esse mangá, que parece mais um iyashikei com colegiais japonesas à primeira vista, é tudo menos isso. Esse é um mundo devastado por um vírus que transformou quase todos os humanos em carcaças pútridas (sim, você pode chamá-los de zumbis!) e essas garotas estão vivendo na barricada que elas mesmas construíram em sua escola (a escola Megurigaoka). Enquanto temos Yuki vivendo num delírio de que tudo está bem com o mundo, temos as outras personagens tentando sobreviver, manter a própria sanidade intacta e proteger Yuki. 

Kurumi Ebisuzawa é quase sempre enviada nas missões perigosas para conseguir mais mantimentos e usa uma pá para se defender dos zumbis (e isso é tudo o que posso falar sobre ela, sem cair nos spoilers!). Yuuri Wakasa cuida de preparar a comida e ver a quantidade de mantimentos disponíveis, no entanto, de todas as meninas, é a que sempre está por um fio de surtar completamente, razão pela qual as demais meninas não a deixam sair da escola. Miki Naoki é, de todas, a mais corajosa, mas também pode parecer ser a mais cruel, em especial por não se agradar da maneira com a qual Yuki vê tudo como um mar de rosas. Por fim, temos o Taroumaru, o pequeno cachorrinho chiba que acompanha as meninas em sua tentativa de sobreviver na escola. Essa é uma história que lida com temas sensíveis de saúde mental e de mecanismos de defesa quando se está passando por uma situação muito apavorante. Recomendo que seja lido com cautela, porque é um mangá que, por certo, irá partir seu coração. Mas, se você assim como Miki, tem coragem o suficiente para enfrentar tudo isso, é uma história que vai te prender desde o primeiro capítulo.


Duas crianças no topo de uma escada. Uma delas é uma menina loira com um apito vermelho preso num cordão ao pescoço; ela usa roupas marrons, com um capacete marrom na cabeça. A segunda criança é um menino com um capacete azul e uma capa vermelha; ele tem cabelo castanho e marcas vermelhas no rosto e na área das costelas; ele não está usando uma camisa. Ao fundo vê-se uma cidade que circunda um imenso buraco que não parece ter fundo.


4# Nascido no Abismo (Made in Abyss)

Título Original: メイドインアビス, Meido in Abisu

Autoria: Akihito Tsukushi

Novamente, encontramos um mangá que parece ser muito fofinho, mas que esconde uma realidade muito mais obscura. Made in Abyss conta a história de Riko, uma menina que mora em um orfanato na cidade de Orth. Essa cidade foi construída circundando um estranho buraco que parece não ter fundo, chamado por todos de Abismo (Abyss, Abisu). 

O Abismo é um lugar estranho, habitado por criaturas monstruosas e que ainda guarda artefatos de uma civilização muito antiga. Vários aventureiros tentam encontrar esses artefatos, seguem até o Abismo, contudo, muitos desses aventureiros quando voltam para os níveis superiores são acometidos de uma doença estranha, que os mata de maneira dolorosa e sofrida, chamada de "a Maldição do Abismo". 

Riko deseja descobrir mais sobre sua mãe, Lyza, que era uma dessas aventureiras que se perdeu no Abismo e é justamente nesse momento que começa o mangá. Durante o momento inicial de sua aventura, Riko encontra Reg, com quem forja rapidamente uma bela amizade. Assim que um balão vindo das profundezas do Abismo chega até Orth, Riko e Reg recebem uma mensagem de Lyza, que está esperando por Riko no fundo do Abismo. Graças a essa mudança de ventos, Riko está decidida a seguir os passos da mãe e se aventurar no Abismo, custe o que custar. Reg e Riko partem para o Abismo determinados a encontrar Lyza e a descobrir os segredos do Abismo. Novamente, esse não é um mangá para os fracos de coração. É uma história com muitos altos e baixos, com muita desgraçada, com muita dor e cenas que podem deixar qualquer sem qualquer esperança pelo sucesso de Riko em reencontrar sua mãe. Contudo, é um conto sobre fé e esperança, até mesmo quando tudo joga contra nossos personagens eles continuam a nos ensinar que o único caminho é seguir em frente, ainda que isso significa descer cada vez mais profundamente para o Abismo (seja ele real ou metafórico).

 

Seis personagens em fundo branco. Do lado esquerdo, cinco pessoas estão dispostas como uma montagem. Na frente estão três pessoas, uma de cabelo verde segurando um caderno, outra de cabelo multicolorido segurando uma espada, A terceira tem cabelo rosa e está de joelhos. Atrás delas uma pessoa de cabelo vermelho parece estar em queda livre; a outra tem cabelos muito longos pretos e está segurando duas espadas, com uma expressão ameaçadora; em uma das lâminas há uma pequena criatura que parece com uma lesma pendurada. Do lado direito há um monge com roupas budistas, ele é careca e está com uma expressão austera.

5# Terra dos Brilhantes (Land of the Lustrous)

Título Original: 宝石の国 / Hōseki no Kuni

Autoria: Haruko Ichikawa

Se você achou que pouca coisa poderia quebrar você depois de Made in Abyss, você achou errado.

Houseki no Kuni existe solenemente para nos destruir completamente. Por baixo de toda essa histórias de pedras preciosas que ganham vida. Tudo é brilhante e lindo, colorido e amigável. Fosfofillita (         Fosufofiraito, Phosphophillite), a gema principal da história, é o resumo do clássico personagem de mangá que é cabeça de vento, tem grandes aspirações e que almeja descobrir seu lugar no mundo. No início da história, você tem certeza que Phos (afinal, todos chamam assim, quero chamar assim também!) vai protagonizar uma história cheia de aventuras, flores, borboletas e as coisas mais adoráveis que o mundo pode oferecer... Exceto que o próprio mundo em que a história ocorre num futuro muito distante em que humanos não vivem mais na Terra e a Terra foi atingida por seis meteoros, tendo sido completamente destruída no processo. Depois de milhares de anos, uma nova raça de formas de vida sencientes emergiu: eram joias imortais que passaram a assumir uma forma humanoide e construir sua própria cultura no que tinha sobrado da Terra. Tudo o que há na Terra é uma pequena ilha em formato de lua crescente, coberta por vegetação e banhada pelo belo e infinito oceano azul. Nesse pequeno pedaço de terra moram todas as gemas (ou joias, se preferir) cada qual realizando suas atividades diárias. Phos, no entanto, é uma pedra de baixa dureza, se quebrando ao menor acidente e, por conta disso é considerada inútil pelos demais habitantes da ilha. Enquanto Phos tenta descobrir um bom motivo para existir e ser útil, as joias lutam contra os lunares, o povo que habita a Lua e desce à Terra para tentar destruir o estilo de vida das joias. A única constante por toda a história é Phos, entretanto, Phos é o personagem mais inconstante que se poderia encontrar: por conta de sua baixa dureza, Phos não funciona corretamente em batalha, razão pela qual vai perdendo, sistematicamente, seus pedaços que vão sendo substituídos por outras gemas de maior dureza ou, até mesmo, por outros tipos de elementos. Assim como seu próprio corpo, a personalidade Phos vai mudando gradualmente no decurso do mangá. Será que Phos ainda será a mesma joia ao final desse processo? Para quem gosta de ler temas filosóficos mais densos sobre a existência, sobre a alma e sobre o Budismo, Houseki no Kuni é o mangá para você. Mas, leia esse mangá sabendo que nem sempre o navio que volta ao porto é o mesmo navio que começou a jornada.

É sempre bom lembrar que não devemos julgar um livro pela capa, não é mesmo?

E você, já conhecia esses mangás? Aproveite a sessão de comentários para falar um pouco sobre a sua experiência com esses títulos que enganam ao primeiro olhar.


Créditos

Texto: Carol Peace 

Revisão: Carol Peace e Felipe Lima

domingo, 22 de novembro de 2020

domingo, 25 de outubro de 2020

Gilmal no canal Literatura da Gente

 O quadrinheiro/quadrinista Gilmal, ex-membro do Clube dos Quadrinheiros de Manaus em entrevista exclusiva para o canal Literatura da Gente.



terça-feira, 25 de agosto de 2020

CQM sobre a exposição Arquivos Neil Gaiman de 2013 - Parte 2

2ª Parte de vídeo feito para uma emissora de TV local, alguns membros do Clube dos Quadrinheiros de Manaus falam sobre a exposição Arquivos Neil Gaiman, realizada pela entidade de 30 de setembro a 11 de outubro de 2013 no extinto Xingú Centro Cultural. Vale ressaltar que o próprio Neil Gaiman ficou sabendo da exposição e agradeceu ao CQM, como pode ser conferido no link (http://clubedosquadrinheirosdemanaus.blogspot.com/2013/10/arquivos-neil-gaiman-na-midia.html).


sexta-feira, 7 de agosto de 2020

A Última Flecha

Desde 2016 que começaram a “pipocar” as graphic novels autorais na cidade de Manaus, sendo que algumas mostram qualidade de nível internacional, não devendo absolutamente nada para alguns grandes clássicos da nona arte produzidas neste formato mundo à fora. Pois bem, “A Última Flecha” é um destes exemplos, que apesar de suas falhas, nos traz o melhor do que é produzido de histórias em quadrinhos na capital amazonense.

Escrita brilhantemente por Emerson Medina (ex-membro do Clube dos Quadrinheiros de Manaus), a história é contada exatamente como melhor agrada o leitor, com poucos textos, personagens bem construídos e roteiro que mostra, sem delongas, a saga se arrastando através dos tempos. A questão temporal é realmente bem administrada no contexto da história, tornando a compreensão facilmente assimilável pelo leitor.

A trama gira em torno da vingança que é buscada por um indígena que teve sua tribo dizimada por saqueadores em busca de uma bebida que promove a longevidade. Busca esta que se arrasta entre passado e presente, justamente pela dádiva proporcionada na ingestão do sagrado elixir. O roteiro só não explica como uma das personagens traz ao presente, para o sintético ambiente de um quarto de hotel, uma clava utilizada no passado em plena selva. Provavelmente um outro objeto tenha servido como alusão a arma do passado, mas isso teria de ficar evidente, no último quadro da sequência, para evitar o questionamento.
Os desenhos são um show à parte. Com riqueza de detalhes, feitos por Rogério Romahs (ex-membro do Clube dos Quadrinheiros de Manaus), a fotografia cinematográfica mostra como este rapaz, que atua como roteirista dos estúdios MSP, seria um ótimo diretor de filmes. O traço suave na anatomia perfeita (não apenas humana, mas animal também) cativa qualquer público que se aventura na leitura da obra. Porém, mesmo em seu perfeccionismo, aqui o riscado de Romahs mostra alguns detalhes que poderiam ser melhorados. O mais notório é a ausência de onomatopeias na cena inicial do comic book. Uma sequência fantástica de genocídio em batalha com tiros, machadada e similares, não poderia ser silenciosa e tirou muito da dramaticidade demandada. Outras falhas que são evidentes no decorrer das páginas, está na brancura total dos céus amazônicos, absurdamente sem nenhum tipo de nuvens em todos os quadros que se ilustra o natural, mesmo nas diferentes temporalidades da história, e a silhueta totalmente vazia do que seria um automóvel em um dos quadrinhos. Estas observações certamente são creditadas a Jahn Cardoso (também ex-membro do Clube dos Quadrinheiros de Manaus) que assina como Design de Ambientes.

Estes detalhes observáveis não tiram, em nenhum momento, o brilhantismo de A Última Flecha que já figura como uma obra prima dentre todos os trabalhos lançados até agora, no âmbito das histórias em quadrinhos, feitas na cidade de Manaus. Não deixe de adquirir! É arte refinada e digna de premiação.
Editora Monomito; São Paulo; 2019; 56 páginas.


sexta-feira, 17 de julho de 2020

Participação do CQM no 2º Quadrinhos no Largo

Vídeo com depoimento de Mário Orestes Silva, diretor do Clube dos Quadrinheiros de Manaus, sobre a participação da entidade no evento 2º Quadrinhos no Largo realizado nos dias 28 e 29 de setembro de 2019 no Largo São Sebastião.


terça-feira, 30 de junho de 2020

Lançamento da HQ Fogo Fato

A quadrinista Aline Lemos comemora o lançamento da HQ FOGO FATO com um evento online, de 8 a 10/7 no seu instagram (@desalineada_).
O livro impresso ficará disponível para venda com valor de R$20.

O LIVRO

FOGO FATO é uma história de ficção científica e fantasia urbana sobre amor e exclusão na cidade, com foco em representatividade LGBT e mobilidade urbana.
A arte é feita em nanquim com finalização digital. É a primeira HQ longa da autora e sua publicação foi financiada coletivamente com a ajuda de 164 apoiadores.
Especificações: 80 páginas P&B, 15x 21cm, capa colorida.
Sinopse: A cidade de Limiar vive uma intensa modernização sob o governo da Autoridade Ultra, que implantou o milagroso sistema de transportes Bondes.
Apesar dos triunfos tecnológicos, Limiar sofre com os crescentes conflitos envolvendo a população de fantasmas que passou a povoá-la misteriosamente.
FOGO FATO acompanha a dupla de hackers Cris e Mina, uma pessoa encarnada e sua namorada fantasma, numa investigação sobre os incêndios que atingem os cemitérios da cidade.

O PROCESSO

“Comecei a escrever FOGO FATO em 2016, com a vontade de abordar conflitos atuais, como a exclusão social e a mobilidade urbana, na perspectiva da ficção científica e da fantasia.
Minhas referências eram o cyberpunk feminista, o realismo mágico e principalmente o passado e presente brasileiros, temas que sempre me apaixonaram. Foi difícil realizar um projeto
longo como esse, apesar de toda a paixão. Os trabalhos remunerados iam sendo priorizados, os meses se passando, e a cada convulsão política do país eu tinha certeza de que
minha distopia se tornaria desatualizada. FOGO FATO fala das diversas formas de existir e amar em contextos de exclusão e violência. É uma história fantástica sobre a realidade
de sobreviver juntos, apesar das opressões que afetam nossas subjetividades e limitam nosso poder de atuação.”


O EVENTO

Às 20h, durante três dias:

8/7: Lançamento da prévia e disponibilização do livro para venda online. No instagram da autora (@desalineada_)

9/7: Bate-papo com Aline Lemos e PJ Brandão, pesquisador de HQs, professor de roteiro e host do podcast HQ Sem Roteiro. No instagram da autora (@desalineada_)

10/7: Festa de lançamento com desenho ao vivo e discotecagem de Larissinha. No Zoom.



A AUTORA

Aline Lemos é quadrinista natural de Belo Horizonte. Desde 2014 produz publicações independentes e realiza oficinas sobre o tema.
Colaborou em A Folha de S. Paulo, A Zica, MÊS, Zine XXX e o portal Lady´s Comics, entre outros. Publicou sete fanzines e o livro
Artistas Brasileiras (Editora Miguilim, 2018), vencedor do prêmio HQ MIX 2019 na categoria Homenagem.







quinta-feira, 25 de junho de 2020

Galeria de autores do CQM

Abaixo algumas artes feitas por alguns autores que compõe o Clube dos Quadrinheiros de Manaus. A postagem não representa o legado dos autores, visto alguns produzirem obras em vários estilos diferentes e outros nem serem artistas. É apenas uma pequena mostra. De qualquer forma, fique a vontade para conhecer o que cada um produz e fazer contato com quem desejar.

Por: Vicente Cardoso.

Por: Igor Monteiro.

Por: Angeliny Mazarello.

Por: Fábio Prestes.

Por: Adriano Bezerra.

Por: Mário Orestes Silva.

Por: Carol Peace.

Por: Rafael Artemis Soares.

domingo, 21 de junho de 2020

Vejam como foi nossa live Ideologia nos Quadrinhos

Quem não acompanhou nossa última live com a temática "Ideologia nos Quadrinhos", pode assistir a gravação disponibilizada em nosso canal através do link https://www.youtube.com/watch?v=1aq36P7NWic&feature=em-lsb-owner

Inscrevam-se em nosso canal, compartilhe os vídeos, deixem seus comentários e ativem o sino de notificações para receberem novos vídeos.


domingo, 7 de junho de 2020

3 Cards - Parte 1


Por: Vicente Cardoso
Em 02/12/1999

Uma cidadezinha de beira de estrada, no calor da tarde. A paisagem era desolada, dividida em duas cores: o azul do céu sem nuvens, e o quase-laranja do chão árido do deserto, estendendo-se até o alcance da visão. Um veículo de quatro rodas, semelhante a um jipe, aproximou-se da cidade, parando em frente à única construção que não parecia triste e desolada, como todas as outras casas: um saloon.
Lá dentro, música alta e gargalhadas – misturadas com palavrões, gabolices e lances de jogo. Uma típica comemoração da escória, pensou a motorista. Tirou seus óculos sujos como seu rosto e ao sair do carro tentou espanar a poeira de sua roupa, sendo apenas meio bem-sucedida. Entrou no bar e deparou-se com o espetáculo degradante. Uma dúzia de homens espalhados pelo saloon, sentados nas mesas ou nos bancos do bar, bebendo, jogando ou simplesmente narrando suas últimas aventuras. Do andar de cima podiam-se ouvir mais risadas, gritos e gemidos femininos – típicos ruídos de fornicação. (Não que ela não se excitasse ao pensar nessas coisas, mas no momento ela estava ali por outros motivos).
Dirigiu-se até o bar e pediu uma bebida leve. Todos os homens, é claro, já haviam notado sua presença desde que havia passado pela porta. A admiração por seu belo corpo a divertia. Sabia que possuía atributos desejados por muitos homens – e invejados por algumas mulheres. Para realçar sua voluptuosidade natural, trajava peças de couro justíssimas, que expunham apenas seu rosto, seus braços e parte de seu ventre – mas ninguém repara nessas coisas quando se tem seios, coxas e nádegas nas proporções que os homens se acostumaram a rotular como...
- Gostosa! – gritou um dos “cavalheiros”.
Fingiu que não era com ela. Sorriu e dirigiu-se ao barman:
- Estou procurando um homem.
“Veio ao lugar certo, gatinha” disse um sujeito alto e forte, com cara de quem liderava o bando. Sentou-se no banco ao lado dela e começou uma cantada suja e desajeitada. “Definitivamente, esse cara é um desastre com mulheres”, pensou ela. Na certa era do tipo que encontrava prazer apenas com prostitutas – só mesmo sendo paga para perder tempo com um idiota daqueles.
Cansou-se do papo e decidiu ir direto ao assunto. Estava procurando Chacal, o líder de uma gangue de assaltantes de bancos que se encontrava foragido. Mentiu dizendo que sempre havia sentido uma enorme admiração pela audácia e coragem do famoso bandoleiro, e que os relatos femininos sobre sua indiscutível virilidade o haviam transformado num ídolo para ela – alguém para quem ela adoraria se entregar e satisfazer suas mais loucas fantasias. Ao terminar sua atuação, surpreendeu-se com sua inacreditável cara-de-pau.
Seu truque fisgou o marginal. Ele era o próprio Chacal, o bandoleiro mais procurado em cinco estados, matador de policiais e blábláblá. Fez um avanço em direção à jovem, mas ela foi mais rápida; ajoelhou-se à frente dele e começou a acariciar seu membro por cima da roupa. “Você é meu herói! Deixe-me provar minha admiração fazendo-o sentir-se nas nuvens!”. Todos os homens no saloon (incluindo o barman, que pensava já ter visto todo tipo de coisa) ficaram boquiabertos. Teriam atacado a garota mais cedo ou mais tarde, se ela já não tivesse atraído a atenção de seu líder.
Ela não perdeu tempo: iniciou ali mesmo, na frente de todos, uma felação no feliz bandido. “Você é uma profissional, não é? Vadia sem-vergonha...” Inesperadamente, ele soltou um urro de dor – a garota sem o menor aviso cravou seus dentes em um de seus testículos, até sangrar. Enquanto ele caía no chão, segurando seus órgãos, ela ergueu-se e sacou duas pistolas que estavam ocultas sob sua jaqueta, apontando-as a esmo.
- Caçadora de recompensas Classe P-28: Cassandra – identificou-se. Na hora, os bandidos recearam em sacar suas armas – ela era mais rápida, e poderia atirar no primeiro que tentasse erguer sua pistola. E além disso, ela havia derrubado o líder! “Tenho permissão para levar apenas o Chacal! Vocês acham que vale a pena entregarem suas vidas por ele?” desafiou ela, contando com sua experiência sobre o fato dos criminosos serem uma classe desunida e traiçoeira.
Três deles tentaram provar que ela estava errada. Sacaram suas armas e foram mortos sem um instante de hesitação da caçadora. O restante dos baderneiros pensou bem e voltou ao que estavam fazendo – jogar cartas e se embebedar. Chacal estava furioso com a traição de seus companheiros, mas a excessiva dor em seu testículo mastigado o impedia de ofender suas mães, irmãs, filhas e esposas. Quando deu por si, já estava algemado, amarrado e amordaçado sobre o capô do jipe da caçadora. Ela limpou o sangue de seus lábios e queixo, e numa voz doce dirigiu-se ao barman:
- Moço, posso usar seu telefone?

A centenas de quilômetros dali, numa paisagem completamente diferente...
Numa bela floresta, com árvores tão altas que quase cobriam o sol, uma jovem debruçava-se à beira de um córrego. Usava roupas comuns e modestas, típicas de uma camponesa. E fazia algo igualmente típico: lavava suas roupas, esfregando-as com sabão, torcendo-as e batendo-as contra uma pedra, antes de enxaguá-las novamente no riacho. O suor acumulava-se em sua testa e pescoço, mas o esforço expresso em seu rosto não conseguia enfear suas belas feições. Contudo, as múltiplas tarefas domésticas quase a impediam de ser vaidosa. Suas mãos, por exemplo, eram pequenas mas não tinham nada de delicadas: eram calejadas e agarravam firme, após anos fazendo coisas como cozinhar, lavar, passar e carregar mantimentos. Sabia que era bonita, mas não costumava perder tempo pensando nisso. Na verdade, ela precisava terminar sua tarefa enquanto o sol ainda estava alto no céu, para que ela pudesse pôr as roupas para secar e logo depois aprontar o almoço.
A alguns metros dela, um menino sentava-se no galho de uma goiabeira. Era visivelmente mais jovem que ela, apesar da diferença de poucos anos de idade. Ele também vestia-se com modéstia, e carregava no colo algumas goiabas, que mastigava com gosto e sem pressa, enquanto admirava a irmã. Mesmo ocupadíssima, ela nunca deixava de ser bonita, pensava ele.
Ela chamava-se Vittoria, e o menino era seu irmão Gilberto – a quem ela só chamava “Gil”. Os dois viviam sozinhos em uma pequena cabana de madeira, num cotidiano comum. Viviam do cultivo de uma vasta horta, que não só os alimentava como também garantia algum lucro no mercado da vila mais próxima, que visitavam todos os finais de semana – a agitação da cidade, com seu comércio ativo e trânsito incessante de pessoas e veículos, deixava Vittoria estressada, mas ela adorava ver a expressão de alegria estampada no rosto de Gil. Não havia nada que ela deixasse de fazer para vê-lo feliz.
Aquele era um cotidiano ao qual os dois já haviam se acostumado por cinco anos, desde que sua mãe havia morrido. O começo havia sido muito difícil, mas ela foi forte, e conseguiu criar Gil como mãe, pai e irmã. E algo mais... um segredo de família os mantinha ainda mais unidos. Um mistério que se estendia por cinco gerações.
Olhou para o irmão e sorriu. Ele devolveu o sorriso, mas de repente seu rosto ficou sério, quase apreensivo. Ela notou e quase instantaneamente ergueu-se e virou-se: alguém os vigiava a uma curta distância.
Era um homem forte e escuro, de feições rudes. Seus trajes lembravam um mercenário, e tinha uma espada atada às suas costas. Não parecia ser da cidade. Nem um traço de cordialidade em seu rosto.
­ - Você é Vittoria?
Por um instante, ela sentiu-se receosa. Era alguém que já tinha ouvido falar dela, por mais que ela tenha tentado, durante cinco anos, encobrir seus rastros. Houve uma paz momentânea que se estendeu por meses, mas agora parecia ter chegado ao fim. Aquele homem era o tipo de pessoa que ela mais desprezava: um desafiante.
- Quem quer saber?
O homem apresentou-se sem muita cortesia. Era realmente um mercenário, mas também um espadachim. Estava naquela vida há anos, e acostumou-se a lutar e lutar até que isso já estava completamente enraizado em seu ser. Isso não impressionou a jovem. Só depois ele revelou suas verdadeiras intenções:
- Ouvi dizer que você tem uma espada “mágica”. Mostre-a para mim.
Não era um pedido, nem uma ordem. Era um desafio, puro e simples. “Como ousa?”, pensou ela. Aquele infeliz não tinha ideia do que queria. Para ela, isso era tão insultuoso quanto pedir-lhe para mostrar os seios – bem, talvez não tanto, mas ainda assim era desrespeitoso.
- Vá embora, pediu. - Não tenho essa espada, e não participo de lutas.
O estranho recebeu a desculpa com descrédito. Muitos não acreditavam mesmo na existência da espada, mas seu instinto não deixava nenhuma pista escapar, por mais improvável que parecesse. Muitas pessoas conheciam os dois jovens irmãos, que mais pareciam nômades. E os contos sobre a tal espada _ Durindana_ sempre se espalhavam por onde eles passavam. Não podia ser uma simples coincidência, podia? Ele tinha consciência de que não podia desafiar uma jovem inocente – era contra seus princípios de espadachim. Se ela não fosse quem ele procurava, deixaria-a em paz... mas antes, precisava testá-la. Viu o menino sentado no galho da alta goiabeira e jogou sua isca...
- Você tem um irmãozinho muito bonitinho... e se algo acontecesse a ele?
Ela mordeu a isca.
- Esse ALGO estaria morto antes de chegar a dez metros dele!
“Fisguei-a”, pensou o mercenário confiante. Quase sorrindo, ergueu seus braços rapidamente, à procura de sua espada. Mal tocou o cabo, sentiu algo afiado levemente encostado em sua garganta. A moça, com uma expressão assustadoramente calma, materializou(?) um leve e elegante florete em suas mãos, e apontava-o seguro na direção da garganta do mercenário.
- Era isto o que estava procurando? Acha que vale o risco perder sua vida apenas para satisfazer uma curiosidade? É uma maneira bem estúpida de morrer, não acha?
O mercenário não respondeu a nenhuma das perguntas. Estava surpreso demais para falar qualquer coisa. Então era mesmo uma espada mágica. Se ele a possuísse, teria o reconhecimento que tanto procurava por anos. Pensou com ligeireza. Jogou-se para trás, caindo de propósito no chão. Com uma cambalhota, rolou por cima de si mesmo, quase sentindo o brilhante florete passar zunindo por suas costas. Ergueu-se a pelo menos cinco metros da garota, e quando finalmente pôde sacar sua espada, viu-a correndo em sua direção, com um agudo brado de guerra. “Como é bela”, pensou. “É uma pena que deva morrer.”
Ergueu a espada com as duas mãos e aplicou seu melhor golpe. Mas não pôde acreditar no que viu. Sua poderosa lâmina estava reduzida à metade, com um corte tão perfeito que ele só pôde sentir seu efeito quando já estava tombando no chão, com uma enorme ferida que partia de seu ombro esquerdo até seu fígado. Estava morto antes mesmo de entender como.
Vittoria olhou para o corpo caído aos seus pés, respirando sem controle. Seu coração continuava acelerando, enquanto seus olhos pareciam querer saltar de suas órbitas. Não é a primeira vez, dizia para si mesma. Não é a primeira vez que você mata um homem. Já devia estar acostumada.
Deixou-se cair sentada no chão, já sem Durindana em suas mãos. Havia sangue espirrado em sua camisa e seu colo. Sentiu a ânsia crescendo dentro dela, a vontade, a terrível necessidade de chorar e chorar até o choque passar. Olhou para Gil, que no momento da luta havia descido de sua goiabeira e agora a encarava, igualmente assustado e ofegante. Abriu os braços e ele correu para ela, às lágrimas. Com isso ela não resistiu, e desabou também. Eram agora duas criancinhas desesperadas, como naquela noite cinco anos atrás, quando perderam sua querida mãe.
“O que vamos fazer, mana?”, perguntou Gil, ainda soluçante. “Devo ser forte”, pensou ela. “Por mamãe, por Gil e por mim mesma”. Quando eles finalmente se acalmaram e as lágrimas pararam de correr, ela já tinha um plano esquematizado e uma decisão tomada. Doeria nos dois, mas era preciso fazer aquilo se ambos quisessem permanecer vivos... e unidos, o que era mais importante.
- Vá para casa e arrume todas as nossas coisas. Vamos embora daqui agora mesmo. Ele era só um mercenário, com certeza não deve ter ninguém para vingá-lo, mas não podemos mais ficar aqui. É hora de voltarmos à estrada.
- E quanto a ele?
“Eu cuido de tudo. Faça o que eu lhe disse.” Gil obedeceu à sua mãe/irmã. Tremendo, Vittoria começou a examinar o corpo, tentando encontrar algo de valor. Pelo menos disso ela não sentia nenhuma culpa. Se fosse ela a vítima, ele faria a mesma coisa... talvez pior. E o que aconteceria com o pequeno Gil?
“Escória. Vocês não passam de escória.” Repetia essas pragas sem muita convicção. Nunca seria uma assassina. Lutava apenas para proteger-se e ao seu querido irmão. Só isso. Empregar Durindana em nome de dinheiro e glória? Jamais. Um dia, talvez, ela e Gil encontrassem paz. Como seus pais tiveram até o dia em que ela nasceu.
Já era quase fim da tarde quando ela voltou da floresta. Ocultar um corpo era muito difícil – pra não dizer repugnante. Gil já estava sentado na porta da pequena casa, com sua roupa de passeio e uma mochila pendente de cada ombro. Ela entrou e limpou-se, vestindo uma nova roupa. Pegou sua mochila e olhou para Gil que tentava confortá-la com seu tímido e gracioso sorriso. Ela nunca resistia a ele, e abraçou-o.
Afastaram-se da casa e voltaram para sua vida de nômades.
De volta à estrada...


Continua